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Lançado nesta terça-feira, livro de Charles Spencer também está disponível em português e já é vendido no Brasil
Piers Morgan, um dos jornalistas e apresentadores mais conhecidos do Reino Unido, anunciou que pretende acionar Spencer e a editora por uma passagem sobre os convites de jornalistas para o funeral da princesa Diana, em 1997.
Publicado no Reino Unido pela Michael Joseph, selo da Penguin Random House UK, o livro vem sendo acompanhado de perto pela imprensa britânica desde a divulgação dos primeiros trechos.
Na manhã de hoje, emissoras de TV fizeram transmissões ao vivo de dentro de livrarias e estão com coberturas em tempo real nos sites atualizando repercussões e passagens do livro após terem acesso ao volume completo.
Longe de ser apenas fofoca, o livro envolve passagens importantes da história do país e dos bastidores da monarquia em um momento grave da nação, a morte trágica da princesa Diana aos 36 anos, em um acidente de carro em Paris, depois de um turbulento divórcio.
Entrevista a jornalista política
No domingo, Spencer deu uma longa entrevista à BBC em Althorp, propriedade da família onde Diana está enterrada.
A conversa foi conduzida por Laura Kuenssberg, uma das jornalistas políticas mais conhecidas do país, e apresentada pela emissora como exclusiva no Reino Unido.
Spencer, que é historiador e já foi jornalista da própria BBC, disse que decidiu escrever o livro para registrar, “de uma vez por todas”, sua versão da história da irmã.
E afirmou ter deixado outras informações sobre o rei de fora do livro por não querer produzir uma obra sensacionalista, garantindo não ser uma ameaça e sim uma informação.
Por que Piers Morgan ameaça processar Charles Spencer
O irmão da princesa Diana conta no livro que ficou indignado ao saber que editores de tabloides haviam sido convidados para o funeral e decidiu telefonar pessoalmente para retirar os convites.
Segundo ele, Morgan reagiu de forma especialmente irritada. Spencer relaciona a reação à publicação, anos antes, pelo Sunday Mirror, de fotos de Diana usando collant numa academia.
Morgan diz que o relato contém um erro factual: as imagens foram publicadas em 1993, quando ele trabalhava no concorrente The Sun. Ele só entrou no Daily Mirror em 1995.
“Há apenas um problema. É tudo mentira”, disse Morgan. O jornalista afirmou que Spencer e a editora serão abordados por seus advogados.
Veja as principais revelações de Swan Song
- Charles teria dito que Diana seria logo esquecida. Spencer afirma que discutiu com o então príncipe porque não queria que William e Harry caminhassem atrás do caixão da mãe. Segundo ele, Charles disse que logo esqueceriam Diana. O Palácio de Buckingham contestou a lembrança e disse que o luto pode afetar a memória. Spencer manteve sua versão.
- Charles teria parecido “eufórico” depois da morte de Diana. Spencer relata que o então príncipe soou extremamente animado em uma conversa telefônica pouco depois da morte da ex-mulher. O Palácio também contestou essa interpretação.
- A família Spencer queria um funeral privado. O irmão de Diana afirma que a família pretendia realizar uma despedida menor e reservada, mas os planos rapidamente caminharam para um grande funeral público. Ele descreve a caminhada atrás do caixão como uma das experiências mais dolorosas de sua vida.
- Spencer culpa os paparazzi pela morte da irmã. O livro faz duras críticas à imprensa e diz que os paparazzi foram, em sua avaliação, a principal causa da morte de Diana. Foi nesse contexto que ele afirma ter se oposto à presença de editores de tabloides no funeral.
- Dodi Fayed talvez não fosse o grande amor de Diana. Spencer escreve que sempre acreditou que a relação da irmã com Dodi também servia para provocar ciúme em outro homem, por quem Diana estaria profundamente apaixonada.
- Diana teria acusado Mohamed Al Fayed de comportamento sexual impróprio. Spencer afirma que a irmã lhe contou que o pai de Dodi a havia tocado indevidamente e feito um comentário obsceno. A alegação aparece no livro como lembrança de uma conversa entre os irmãos.
- Harry teria recebido pouco apoio após a morte da mãe. Spencer critica o que considera falta de cuidado com Harry, então com 12 anos, e afirma que o sobrinho ficou sem o apoio de que precisava naquele período.
- Diana teria pensado em desistir do casamento com Charles. Spencer conta que a irmã teve sérias dúvidas antes da cerimônia de 1981 e chegou a cogitar cancelar o casamento. Segundo ele, Diana questionava se Charles realmente a amava.
- Diana teria dito que Charles estava apaixonado por seu assistente pessoal. Spencer relata que, durante um almoço em que a irmã lhe contou que pretendia se divorciar, Diana afirmou que o então príncipe Charles estava “apaixonado por seu valet”, funcionário responsável por auxiliá-lo pessoalmente. Spencer não identifica o homem nem afirma ter presenciado qualquer relacionamento; registra no livro a alegação que diz ter ouvido da irmã.
- A rainha Elizabeth II teria oferecido devolver postumamente a Diana o tratamento de “Sua Alteza Real”. Spencer afirma que a rainha propôs restaurar o título depois da morte da princesa, mas que ele recusou por considerar que a medida chegava tarde demais.
- Pessoas ligadas a Charles teriam alimentado notícias negativas contra Spencer. O autor afirma que, depois do discurso que fez no funeral de Diana, pessoas próximas ao então príncipe transmitiram informações desfavoráveis sobre ele e outros parentes à imprensa. O Palácio não respondeu especificamente a essa acusação.
A publicação já provocou uma rara troca pública de acusações entre o irmão de Diana e o Palácio, que sempre adotou a política “não reclame, não explique”, e agora acrescenta uma nova disputa, desta vez com Piers Morgan.
Versão do livro em português
No Brasil, o livro também foi lançado nesta terça-feira em português, com o título Canto do cisne: Diana, minha irmã, pela Objetiva.
A obra está disponível em versão impressa e digital, inclusive pela Amazon Brasil e outras plataformas.