Trem da história

Patrícia Bueno

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Reprodução do Livro

Procurar o professor Leonardo de Vasconcellos para uma conversa é ter a certeza de sair sabendo um pouco mais sobre o passado da região. Na sala ampla de seu apartamento, entre livros e inúmeras obras de arte – lembranças das muitas viagens que faz – o pesquisador se debruça sobre temas que compõem o imenso quebra-cabeça da História.

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LEONARDO e o livro que traz páginas ricamente ilustradas. (Patriícia Bueno)

E foi juntando as peças, as pistas e os rastros deixados pelos antepassados em livros antigos, objetos e documentos raros, que nasceu a obra “A Ferrovia Agrícola de Quissaman”. Nela, as 212 páginas funcionam como trilhos com destino à rica história da ferrovia de Quissamã e suas conexões. O livro, lançado a pedido da prefeitura da cidade em 2012 e escrito em parceria com o engenheiro Nylson Macedo, pode ser encontrado nas principais livrarias da cidade.

O cuidadoso projeto gráfico já é um convite à viagem que traz paisagens emocionantes para os que amam História e trens. As fotografias remetem o pensamento aos hábitos, personagens, à cultura e à economia de séculos atrás. Tudo minuciosamente explicado. “Se alguém me perguntar qual o ponto alto do livro, eu vou dizer que são as legendas. Há duas: uma mais resumida e outra com detalhes sobre a fotografia”, comenta Leonardo.

Ainda numa comparação entre leitura e viagem ao passado, não tem como esse trem descarrilar. São informações com riqueza de detalhes, a partir da construção da Estação de Conde de Araruama no Século XIX, ricamente ilustradas e com direito a glossário de termos técnicos. Para proporcionar isso aos leitores, Leonardo teve que colocar o pé na estrada, garimpando relíquias como a planta original do Canal Campos-Macaé. “Visitamos bibliotecas, antiquários, viajamos para cidades como São João Del Rei, há também referências de Angola. O trabalho foi feito de uma forma muito séria”, resume.

Outras estações – É com as chaves do prestígio que alcançou com suas pesquisas que Leonardo abre as portas às raridades que encontra pelo caminho. Atualmente, investiga a trajetória de Umbelino Pacheco, fundador da rede de drogarias Pacheco. Este é apenas um dos personagens que ele e o parceiro de projeto Genilson Peçanha pretendem fazer chegar ao máximo de leitores possível. “A ideia é criar um blog contando curiosidades sobre essas pessoas”, planeja.

Outro projeto em que está envolvido, dessa vez junto ao arquiteto José Luiz Puglia, é sobre a rica arquitetura de Campos, sobretudo a influência parisiense e as transformações urbanas ao longo do tempo: o planejamento de ruas e avenidas, o projeto de saneamento, o surgimento dos espaços de convivência, os bondes elétricos… e por aí vai mais um desafio para o condutor deste trem cujo objetivo continua sendo preservar a memória da cidade e lançar luz sobre fatos antes esmaecidos na fumaça do tempo. É o trem da História novamente pedindo passagem.

Créditos: Jornal O Diário

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