MPF apura invasão do mar no Açu

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perigo. Água atravessa a avenida principal e avança sobre a comunidade no Açu
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Um dia após mar avançar pela orla e tomar ruas do Açu, 5º distrito de SJB, equipe do Ministério Público realizou inspeção no local

Danielle Macedo

O avanço do mar sobre a área costeira na praia do Açu, em São João da Barra (SJB), levou ontem à tarde uma equipe técnica do Ministério Público Federal (MPF) de Campos à área para fazer uma inspeção e ouvir os moradores. Com a situação na comunidade cada vez mais delicada, as ondas avançaram sobre a Avenida Principal na última terça-feira e alagaram um trecho próximo a escola municipal. O MPF faz averiguações nas áreas onde estão sendo construídos o quebra mar e o canal que é mantido aberto a todo tempo pela empresa Prumo Logística, que administra o Porto do Açu.

Segundo a equipe técnica, um diagnóstico será feito pelo procurador Eduardo Oliveira e divulgado em breve para que providências sejam tomadas em relação ao problema enfrentado pela comunidade do 5º distrito, que soma 1/3 da população sanjoanense.

Defesa Civil – Por todo o dia, a Defesa Civil Municipal esteve ontem em alerta para o caso de novo alagamento, o que não ocorreu. “No dia do alagamento todos ficaram assustados, pois a água atravessou a avenida, mas tivemos outras ocorrências”, disse o sargento Adriano Assis.

Sobre possíveis causas, ambientalistas, moradores e a empresa Prumo Logística divergem nas opiniões. O ambientalista Aristides Soffiati pesquisou o caso num estudo do colega Eduardo Bulhões, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e afirmou que o caso do alagamento poderia até ser considerado normal para a estação do ano, que tem marés altas. “O MPF solicitou a pesquisa a Bulhões na área do estaleiro no Açu, que conclui que como há um obstáculo no caminho na transposição da areia flutuante, dois espigões de pedras construídos no canal acabam atrapalhando o fluxo. A erosão é crescente no local porque há esse bloqueio na transposição da areia”, avalia Soffiati.

Ainda segundo o ambientalista, desde as primeiras audiências públicas em 2011 e 2012, era prevista a erosão. Eleobserva que o Açu e Barra do Furado jamais poderiam ter estaleiros. “Em Barra do Furado (entre Csmpod e Quissamã) há o mesmo problema de erosão, com a transposição da areia, mas está tudo parado”, concluiu.

Preocupação – Segundo o morador e comerciante local Denis Toledo, que acompanha desde o início a instalação do estaleiro, nenhum tipo de monitoramento é feito sobre o impacto ambiental que já vem ocorrendo desde 2012. “Nas audiências realizadas aqui pela Unidade de Construção Naval (UCN), eles documentaram que a erosão aconteceria, mas disseram que o monitoramento seria constante e que criariam soluções”, lembra.

A posição da Prumo Logística, até o fechamento desta edição, era de que as obras do porto não teriam qualquer relação com o avanço do mar sobre a comunidade do Açu. A Câmara Municipal de SJB remarcou para o dia 1º/10, às 19h, uma reunião pública, já adiada uma vez, para esclarecer questionamentos sobre as obras do Porto que estariam contribuindo para a erosão e o avanço do mar na praia. No pedido, o autor do requerimento, vereador Franquis Arêas, solicitou informações sobre o assunto à Prumo Logística.

Segundo a assessoria da Câmara, a Prumo confirmou presença e ficou de apresentar o estudo denominado “Sobre a evolução da linha de costa adjacente aos molhes do Terminal TX2 do Porto do Açu e a necessidade de transposição de sedimentos”.

Créditos: Jornal O Diário

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