Ações da OGX despencam 20% após fracasso em negociação com credores

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A petroleira OGX informou nesta terça-feira (29) que encerrou as conversas com os credores que possuem em mãos US$ 3,6 bilhões em bônus da dívida com vencimento em 2018 e 2022. Não houve acordo para reestruturar sua dívida após meses de negociações, disse a empresa em comunicado. Com o anúncio, as ações ordinárias (sem direito a voto) da empresa despencam no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

A OGX, controlada pelo empresário Eike Batista, prepara-se para entrar com pedido de recuperação judicial a partir desta terça-feira, afirmam três fontes com conhecimento da situação à Reuters na segunda-feira.

Durante a recuperação judicial, a companhia suspende o pagamento de dívidas. As ações judiciais contra ela ficam suspensas por 180 dias, prazo prorrogável. Como a empresa é a principal cliente da OSX (construção naval), a tendência é que esta também peça recuperação judicial, pois sua fonte de recursos cessará.

A OGX tem participação em blocos de exploração e produção nas bacias de Campos e Santos, além do litoral do Nordeste. Tem ainda blocos em terra, onde a produção é primordialmente de gás natural.

Uma eventual perda desses blocos, especialmente Tubarão Martelo – onde a OGX espera iniciar a produção até o fim do ano -, poderia colocar em risco as chances de a empresa continuar operando.

Os contratos de concessão determinam que a companhia realize um esforço mínimo de exploração durante determinado período, pague royalties para o governo e realize contratos com fornecedores com um percentual mínimo de conteúdo local.

O Conselho de Administração da OGX demitiu o presidente-executivo Luiz Carneiro e convocou uma assembleia extraordinária de acionistas para destituir e eleger novos membros do Conselho, abrindo caminho para que Eike possa deixar o posto de chairman da companhia.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a petroleira poderá manter seus blocos de exploração mesmo que venha a pedir recuperação judicial, desde que cumpra com todas as obrigações contratuais.

Analistas esperam por recuperação judicial

Na última segunda-feira (28), as ações da petrolífera OGX do empresário Eike Batista tiveram um dia de muita instabilidade no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo, numa semana decisiva para empresa. Na quinta-feira, encerra-se o prazo para que a petrolífera chegue a um acordo com credores internacionais e escape da situação de inadimplência.

– Não se vê saída para a empresa que não seja a recuperação judicial. Com a medida, a OGX ganhará um pouco mais de tempo para tentar alguma coisa, mas a situação é bem díficil – avalia Álvaro Bandeira, economista-chefe da Órama.

Ricardo Knoepfelmacher, sócio da Angra Partners, que está à frente da reestruturação da OGX, volta quarta-feira de Nova York, para onde viajou no domingo, numa tentativa de acertar as últimas arestas com credores.

– Não há outro caminho para a empresa. A recuperação judicial é a saída natural para ganhar fôlego e tentar algo – também avalia Pedro Galdi, estrategista-chefe da corretora SLW.

No início deste mês, sem mencionar diretamente a OGX, a Bovespa enviou comunicado a agentes do mercado informando que a negociação de ativos no mercado a vista será interrompida caso seu emissor apresente pedido de recuperação judicial ou extrajudicial, ou ainda que ocorra “decretação de intervenção, liquidação extrajudicial ou administração especial temporária no emissor”.

– O lado positivo da recuperação judicial, do ponto de vista do mercado, é que a volatilidade do Ibovespa deve diminuir – diz um analista que prefere não se identificar.

Eike vende R$ 29 milhões em ações

A OGX tem US$ 3,6 bilhões em bônus em circulação e, recentemente, deixou de pagar US$ 45 milhões em juros referentes a esses títulos. A companhia tem até o fim do mês para encontrar uma solução ou entrará oficialmente em default (calote).

A empresa contratou os assessores financeiros Lazard e Blackstone para coordenar as conversas com os credores. Os principais, o fundo de investimentos Pimco e a gestora de fortunas BlackRock, são representados pelo banco europeu de investimento Rothschild.

As discussões nos últimos dias envolveram pedidos para a injeção de mais capital pelos atuais detentores de bônus e a possibilidade do chamado financiamento debtor-in-possession, um tipo especial de crédito para empresas em dificuldades financeiras.

Pessoas próximas à OGX dizem que a empresa precisa de US$ 500 milhões para iniciar a operação de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos. Semana passada, a consultoria DeGolyer e MacNaughton apresentou uma nova certificação das reservas do campo, que as reduziram a um terço do volume previamente anunciado pela OGX. Ainda assim, Tubarão Martelo é a área mais promissora da companhia. Procurada, a OGX não quis fazer comentários.

No início do mês, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgou dados sobre venda de mais um lote de ações de Eike na OGX. Foram R$ 29,6 milhões em setembro, o que levou o empresário a baixar sua participação na empresa a 50,16%.

Diretor presidente da LLX renuncia

Na segunda (28), a LLX, empresa de logística do grupo EBX, anunciou que o diretor presidente da companhia, Marcus Berto, renunciou ao cargo de diretor presidente e diretor de relação com investidores. O anúncio ocorre cerca de duas semanas após a saída do presidente da OGX, Luiz Carneiro, que teria falhado em negociar a dívida da petroleira com credores, segundo fontes.

Enquanto a LLX não encontra um novo presidente, o comando da empresa ficará nas mãos de Eugênio Figueiredo, atual diretor financeiro.

Créditos: Jornal O Globo

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