Lindbergh é denunciado por “contrato secreto” de R$ 2,7 milhões

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Senador Lindbergh Farias deve participar nesta segunda-feira, em SJB, da cerimônia de filiação de Carla Machado ao PT

O senador do PT Lindbergh Farias, pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, está sendo denunciado em “esquema” com marqueteiro. A denúncia é destaque na Revista Época deste final de semana, informando que o petista fez contrato secreto de R$ 2,7 milhões com o marqueteiro Carlos Colonnese, avalizado por Delúbio Soares em 2004, então tesoureiro do partido.

Hoje, o senador estará em São João da Barra para a cerimônia de filiação da ex-prefeita do município, Carla Machado, ao PT. Há duas semanas, Lindbergh foi denunciado em suposto esquema envolvendo o parlamentar para a compra de uma sentença judicial, a partir de uma gravação feita pelo polêmico jornalista Mino Pedrosa, ex-assessor do bicheiro Carlos Cachoeira. Ele negou e disse que a acusação não se sustenta.

Esta semana, a revista Época, da Globo, afirma que o petista fez caixa 2 em sua campanha a prefeito de Nova Iguaçu, em 2004, por intermédio do ex-tesoureiro do PT, para financiar R$ 2,7 milhões e gastos com o marqueteiro Carlos Colonnese. Lindbergh declarou à Justiça que os serviços custaram R$ 500 mil. Delúbio foi condenado a oito anos e 11 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal 470, do processo do chamado “mensalão”.

Pedido de dinheiro a Delúbio Soares

Segundo a revista, com base em informações de líderes do PT que coordenaram as campanhas do partido em 2004, “Lindbergh fez o que todos no partido faziam: foi pedir dinheiro a Delúbio Soares”, encontrando-se com o então tesoureiro petista no restaurante de um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro”.

De acordo ainda com a reportagem da Época, Lindbergh e Delúbio “conversaram a sós por alguns minutos” e quando o hoje senador foi embora, “os interlocutores de Delúbio perguntaram o que ele queria. ‘Dinheiro, como todo mundo’, disse Delúbio, segundo o relato de um dos presentes”. “Delúbio consultou Dirceu, que aprovou o repasse do dinheiro – ou, no mínimo, o compromisso do partido de pagar a conta assim que se obtivessem fundos para tanto”. A revista acrescenta que, naquele momento, a vitória de Lindbergh era uma das prioridades do grupo de Dirceu. “A direção do PT sabia que Lindbergh viria a ser, como agora se demonstra, um candidato forte ao governo do Rio de Janeiro”.

Pagar dívida do partido

Na sequência, a Época diz que “em 2004, o PT tinha muitas campanhas – e muitas dívidas – país afora. Mesmo com o dinheiro do operador Marcos Valério, hoje condenado no caso do mensalão, Delúbio não conseguia fazer frente às demandas dos candidatos”. E prossegue. “Como alternativa, segundo pessoas próximas a ele, Delúbio se comprometeu com Lindbergh a avalizar a dívida com o marqueteiro Cacá.
“Delúbio exigia, porém, que Lindbergh também assinasse um contrato e as respectivas notas promissórias com Cacá”. A revista foi informada que essa “era uma maneira de garantir que, caso eleito, Lindbergh arcaria com a quitação da dívida”.

A quitação “seria por meio de contratos da prefeitura de Nova Iguaçu com Cacá, como determinam as regras silenciosas da política nacional”. Lindbergh teria hesitado e sugerido que seu coordenador de campanha assinaria. “Como Delúbio estivesse inflexível, Lindbergh finalmente capitulou. Topou assinar os papéis”, assinala a Época.

REVISTA DIZ TER TIDO ACESSO A DOCUMENTOS

Segundo a Época, ela teve acesso aos documentos, “que estavam com dirigentes graúdos do PT”. A revista ressalta que “os papéis revelam que, no dia 14 de outubro de 2004, a duas semanas do segundo turno, Lindbergh e Cacá assinaram um contrato secreto de R$ 2,7 milhões, avalizado por Delúbio”.
“Cinco dias depois, Delúbio endossou três notas promissórias oferecidas como garantia de pagamento. Uma no valor de R$ 500 mil, outra de R$ 1 milhão e a última de R$ 1,2 milhão”. A reportagem segue. “As promissórias também foram assinadas por Lindbergh. Em 26 de outubro daquele ano, a cinco dias do segundo turno, o contrato foi registrado no Cartório do 10o Ofício de Notas de Nova Iguaçu. Todas as firmas foram reconhecidas”. “O esforço do PT foi recompensado com a vitória de Lindbergh. Na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, Lindbergh reconheceu apenas R$ 500 mil em despesas com a empresa do marqueteiro Cacá”. No contrato público, do caixa oficial, a revista aponta “uma importante diferença em relação ao contrato secreto”.

Conforme a Época afirma ter apurado, no caixa oficial não aparece Delúbio Soares. “O conjunto de papéis secretos constitui evidência forte de que Lindbergh cometeu crimes eleitorais, ao fornecer informações falsas à Justiça Eleitoral – e, claro, ao recorrer ao célebre caixa dois de Delúbio”, conclui.
SJB – Lindbergh continua fortalecendo alianças visando às eleições de 2014. Hoje, às 19h, no Clube Democratas, em São João da Barra, ele estará abonando a filiação da ex-prefeita, Carla Machado, ao PT.

Créditos: Jornal O Diário

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