‘Machadada’: estratégia da defesa para ganhar tempo

Clique na foto para ampliá-la
advogado de defesa Paulo Ramalho pediu perícia; delegado da PF Cassiano diz ser estratégia

Os advogados de defesa da ex-prefeita de São João da Barra (SJB) Carla Machado e do ex-vice prefeito Genecy Mendonça, o “Dodozinho”, ganharam tempo ao conseguir que a audiência da Operação Machadada, agendada para ontem no Fórum de SJB, fosse adiada para perícia das provas. Seriam ouvidas testemunhas de defesa e acusação da Ação de Investigação Eleitoral (AIJE), que apura compra de votos e formação de quadrilha, mas foram dispensadas porque, segundo Paulo Ramalho, advogado da ex-prefeita, “tudo o que se tem como prova é uma gravação clandestina”. Não há data marcada para nova audiência.

Ramalho pediu à juíza eleitoral Luciana Cesário de Mello Novais que as provas, gravações de áudio e vídeo, sejam periciadas pelo corpo técnico da Polícia Federal (PF), no Rio de Janeiro. “A juíza agiu de maneira correta. Se as fitas foram realmente manipuladas, não servirão de base para provar nada”.

Para o delegado da PF/Campos, Paulo Cassiano, que comandou a “Machadada”, em outubro de 2012, o pedido de adiamento é um artifício para protelar a instrução do processo. “Eles querem ganhar tempo, fazer com que o processo caia no esquecimento”, afirmou.

Recurso no TJ contra o adiamento

O delegado disse que as gravações foram entregues à PF por candidatos que teriam sido procurados pelo grupo político de Carla Machado para que deixassem de apoiar o candidato da oposição Betinho Dauaire e passassem a apoiar a candidatura de José Amaro Martins de Souza, o Neco, atual prefeito. “Em nenhum momento questionamos o conteúdo das gravações porque eram coerentes com o restante das provas e foi, até por isso, que decidimos prender Carla Machado e Alexandre Rosa, candidato a vice-prefeito na ocasião. Não creio que as gravações tenham sido objetos de manipulação, já que os envolvidos, durante a operação, sequer questionaram que a voz não era deles”.

Francisco de Assis Pessanha Filho, advogado do partido que propôs a AIJE, disse que estará indo hoje para o Rio de Janeiro a fim de entrar com recurso no Tribunal de Justiça, com pedido de liminar, contra a decisão da juíza. “Não concordamos que a perícia aconteça antes da oitiva das testemunhas”.
A primeira audiência estava marcada para 3 de maio, mas foi transferida a pedido da advogada de um dos réus, que teria sido submetida a uma cirurgia de emergência.

Envolvidos – Além de Carla Machado e Alexandre Rosa, que foram presos, os candidatos a vereador Renato dos Santos Timótheo e Alex Sandro Matheus Firme, eleito vereador e atual líder do governo, também estão envolvidos no processo. A PF acusou ainda de participação no esquema de compra de votos e formação de quadrilha o prefeito Neco.

Créditos: Jornal O Diário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.