Relações perigosas colocam Pezão na “corda bamba”

Caso tenha mesmo mantido seu nome como pré-candidato ao governo estadual em 2014, o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB) terá que se explicar sobre relações perigosas, os processos e as denúncias que cercam sua trajetória como uma espécie de ‘testa de ferro’ do governador Sérgio Cabral (PMDB), como abordou recente reportagem publicada pela revista Veja. Cotado para ser o candidato oficial do Palácio Guanabara, Pezão é réu em cinco ações por improbidade.

pezao3

Uma dessas amizades que lhe pode render complicações mistura negócios com empresário Ronald de Carvalho, dono da Metetúrgica Valença, do municipio de Piraí, na região onde Pezão cultiva seu principal reduto eleitoral, que recebeu R$ 140 milhões do governo do Estado e repassou a outra empresa, do mesmo dono, a execução de serviços da Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A Metalúrgica Valença, apesar de receber a gorda quantia do governo e não efetuar obras, investiu na campanha de alguns candidatos amigos de Pezão. Doou R$ 40 mil à campanha do candidato Gustavo Ferreira, filho de Arthur Henrique Gonçalves Ferreira, o Tutuca, prefeito de Piraí.

A Valença foi criada em 2009 e recebeu R$ 4 milhões de empréstimo do Governo do Rio, além de uma concessão até 2014 para usar um terreno. Este também é o período do mandato do governador Sérgio Cabral e de Pezão.

No terreno, há hoje apenas uma estrutura de metal que, aparentemente, não condiz com os R$ 140 milhões que a firma recebeu do governo para produzir as estruturas metálicas das UPAs.

Outra transação nebulosa que envolve Pezão é uma desapropriação suspeita em Barra do Piraí, municipio da região perto da cidade onde foi prefeito. Como governador em exercício (Cabral estava em viagem no exterior), ele assinou um decreto que autorizou a desapropriação pelo Estado por R$ 470 mil numa casa que pertencia ao cunhado de sua mulher. A quantia paga pelo governo, segundo levantamentos com base nos preços das casas na cidade, teria sido 56% maior que o valor de mercado pelo imóvel.

pezao2-413x600

Possível superfaturamento em desapropriação

No exercicio do cargo de governador, Pezão entre alguns mandos e desmandos, autorizou que a Procuradoria Geral da do Estado desapropriasse a casa com urgência, o que permitiu que o processo corresse na Justiça em menos de três meses. De acordo com a revista Época, o valor pago pelo governo supera o preço de imóveis na região, oferecidos por R$ 300 mil.

No melhor estilo Lula, Pezão afirma que “não sabia” que a casa pertencia do concunhado e que a procuradoria foi a responsável pela escolha do imóvel. Ele disse inclusive que manteria a desapropriação mesmo se soubesse que a família de sua mulher seria beneficiada com a transação.

Outra transação altamente nebulosa foi a que envolve a sede da Procuradoria Geral do Estado, em Barra do Piraí, que funcionava na mesma rua em um espaço alugado. O órgão passou a procurar outro local para realizar suas atividades e encontrou o imóvel do concunhado de Pezão, “julgado o mais adequado e com bom preço”.

pezao

Os proprietários pediram R$ 520 mil pelo imóvel, mas aceitaram uma contraproposta de R$ 470 mil. O vice-governador julga que não houve superfaturamento na desapropriação, pois a rua do imóvel é “uma das mais nobres da cidade”.

As nebulosas transações residem também na esfera pessoal do vice-governador. Desde setembro de 2006, Pezão está instalado num apartamento no Leblon, bairro mais valorizado da zona sul do Rio, comprado por sua mulher, Maria Lúcia Horta Jardim.

Certidão do Cartório do 2º  Ofício de Imóveis do Rio mostra que, faltando pouco menos de um mês para a primeira eleição de Cabral, Maria Lúcia pagou R$ 315 mil pelo imóvel. Atualmente, um apartamento similar na área vale pelo menos quatro vezes mais. O documento também mostra que o imóvel foi colocado em indisponibilidade pela Justiça Federal em cinco ocasiões. Pezão reverteu a decisão em instâncias superiores.

O vice-governador é réu em cinco ações que tramitam na 1ª Vara Federal de Barra do Piraí, por improbidade administrativa, supostamente cometida durante as gestões na cidade vizinha de Piraí.  Em 2011, o vice de Sérgio Cabral teve parte de seus bens bloqueados pela Justiça Federal.

Sanguessugas: suspeita de participação

O vice nega todas as irregularidades apontadas, mesmo quando, em dezembro de 2010, teve parte de seus bens bloqueados pela Justiça Federal, por suspeita de beneficiamento na então deflagrada Máfia dos Sanguessugas. As supostas irregularidades apontadas pela Procuradoria ocorreram quando o vice-governador foi prefeito de Piraí, entre 1997 e 2004. No entanto, em pouco menos de 15 dias, os bens já tinham sido desbloqueados.

Pezão afirma que os convênios considerados suspeitos foram auditados pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e pela própria Controladoria Geral da União (CGU), em 2004, sem a identificação de nenhum problema.

A Procuradoria pediu o bloqueio de, no total, R$ 269 mil dos bens em nome do vice-governador. Pezão conseguiu reverter a decisão na segunda instância em sete processos, restando ainda a indisponibilidade de R$ 103 mil.

Em sete casos, o Ministério Público Federal diz que Pezão deve responder ao processo por ter sido prefeito na ocasião das licitações suspeitas. No oitavo – que mantém os bens bloqueados -, a compra foi feita por seu sucessor, mas o convênio com o Ministério da Saúde fora celebrado durante a sua gestão.

Segundo relatórios da CGU, houve superfaturamento na compra das ambulâncias e irregularidades no processo de licitação. O objetivo, diz a Procuradoria, era direcionar o resultado para as empresas do esquema.

Créditos: Jornal O Diário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.