Vila Isabel é a campeã do carnaval 2013

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RIO – Ganhou mesmo o samba! Com a força da composição de Martinho e Tunico da  Vila, Arlindo Cruz, André Diniz e Leonel, a Unidos  de Vila Isabel conquistou o terceiro título da sua história. E comprovou  que, quando a trilha sonora de um desfile faz jus às melhores tradições do  carnaval, toda a escola pode ser contagiada e influenciar o crescimento de  outros quesitos, como evolução e harmonia. A campeã de 2013 brincou na avenida.  E contava ainda na concepção plástica com o talento de Rosa Magalhães, que  venceu seu oitavo título, mas que não era campeã desde 2001, na Imperatriz  Leopoldinense. Assim, a Vila abriu vantagem para as demais agremiações. E, mesmo  com um enredo patrocinado, mas sem se referir diretamente a seu “mecenas”, talvez tenha apontado um rumo para um carnaval de enredos e sambas cada vez mais  pasteurizados.

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Desde a escolha do samba para o enredo “A Vila canta o Brasil celeiro do  mundo — água no feijão que chegou mais um”, em outubro, a Vila já era apontada  como uma das favoritas. Quando entrou no Sambódromo, com os ritmistas cantando e  o setor 1 aos gritos de “campeã”, começou a confirmar as expectativas. Em termos  plásticos, Rosa mostrou que manteve seu bom gosto e estilo extremamente  detalhista, para alguns barroco.

mestre-sala e porta-bandeira

Mas, desta vez, com maior volume dos carros alegóricos, embora ainda não com  o gigantismo de concorrentes, como a Beija-Flor. E também com mais coreografias,  com a ajuda de Carlinhos de Jesus. Movimentos marcados, contudo, que deixavam os  componentes mais livres do que nas alegorias vivas de Paulo Barros, da Tijuca.  Nesse sentido, bom lembrar que foi a própria Rosa, na década de 1990, que  começou a introduzir a teatralização nos carros. Agora, em dobradinha com  Carlinhos, aliou mais dança e teatro, indicando uma nova tendência nas  coreografias de carros. E não deu outra. A combinação de tantos fatores culminou  com o título.

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— Dedico a vitória a todo povo de Vila Isabel e do samba. A todos que gostam  de samba-enredo. Um samba dessa categoria tinha que sair consagrado da Sapucaí.  Parabéns a minha equipe. Estou muito orgulhoso de todos meus segmentos, num ano  em que os processos da Vila Isabel foram corretos, da escolha do samba ao  desenvolvimento do enredo pela nossa carnavalesca Rosa Magalhães — dizia o  presidente da escola, Wilsinho Alves, após o resultado.

Samba-enredo fez a virada na apuração

Com apenas três décimos perdidos — ou 299,7 pontos ganhos —, a Vila Isabel  liderou quase toda a apuração. Apesar da sucessão de notas dez, os dirigentes da  escola evitavam comemorar. Só no sétimo quesito, bateria, com a perda de dois  décimos, a Unidos da Tijuca passou à frente da azul e branco. A virada veio  justamente em samba-enredo, a despeito de um 9,8 do jurado Bruno Rodrigues  (questionado até na mesa vizinha à da Vila, a da Portela), que acabou sendo  descartado. E aí, sim, a tensão deu lugar à plena confiança.

Só quando foram lidas as quatro notas 10 no último quesito, evolução, que a  escola soltou o grito de campeã, que estava engasgado desde o ano passado,  quando a Vila ganhou o Estandarte de Ouro de melhor escola e deixou a avenida  aclamada, mas terminou apenas em terceiro. Na comemoração, além de vangloriarem  repetidas vezes o samba, os componentes da azul e branco faziam questão de  lembrar o trabalho de Rosa — ela não foi à Praça da Apoteose. Apagando, de vez,  os rumores que surgiram antes do carnaval de que a carnavalesca seria  demitida.

— A Rosa é uma professora que voltou a ganhar num palco que é a casa dela.  Tivemos um hino, sem ser arrogante, que talvez demore muito tempo para ser  igualado ou superado. Isso não tem só um dedo da Rosa. Tem o corpo inteiro dela.  Quando o trabalho apertou, nas semanas que antecederam o desfile, ela parou para  cortar, colar, pintar… Ela se doa, se entrega. Hoje tem mais idade e sua ação  física fica mais lenta. Mas a inteligência só aumenta — afirmava Junior Schall,  diretor de carnaval da escola.

A própria Rosa, no entanto, que foi à comemoração na quadra, não deixou claro  se continua até mesmo no carnaval, muito devido à sua saúde.

— Estou muito cansada. Não tenho mais 13 anos. Essa garotada toda que está aí  (outros carnavalescos) é animada — disse.

Emoção também do cantor Gera, integrante do carro de som da azul e branco,  que lembrava emocionado do primeiro campeonato da escola de Noel, em 1988, com “Kizomba, festa da raça”, quando ele era o intérprete oficial da agremiação.

— Foi um dos mais belos sambas. Ganhar agora foi um repeteco muito  importante. Tivemos, mais uma vez, um grande samba. E com um bom samba se acerta  a escola — resumiu.

Créditos: Jornal O Globo

 

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