Alto investimento na educação não reflete boa qualidade do ensino da região

 Cidades que recebem royalties não tiveram bom desempenho

Nem mesmo os altos investimentos na Educação das cidades petrolíferas de Rio das Ostras e Macaé têm sido suficientes para colocá-las entre os municípios com a melhor qualidade do ensino do Estado. Do 6º ao 9º ano Rio das Ostras ficou com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 4,5, ocupando a 19ª colocação, enquanto Macaé registrou 4,1, atingindo apenas a 35ª posição. As cidades não registraram bons resultados se compradas a outras localidades que não recebem royalties do petróleo. Esta é a situação do município de Cambucí (RJ), que mesmo com um orçamento reduzido percebeu o índice de 7,8 e conseguiu o primeiro lugar no ranking do Rio de Janeiro e segundo no Brasil. 

Se levadas em consideração o Ideb do ensino do 4º ao 5º ano, Macaé manteve o mesmo índice do ano de 2009, com nota 5,0 e não atingiu a meta de 5,2 em 2011, o que deixou a cidade em 27º posição no ranking estadual. Nesse segmento, Rio das Ostras subiu de 5,3, em 2009, para 5,7, atingindo a meta estabelecida pelo MEC para 2015. A nota deixou o município em terceiro lugar no Estado nestas séries.
Em 2011, segundo a secretaria de Educação de Rio das Ostras, foram aplicados 28% do orçamento municipal, o que equivale, segundo o Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação, a quase R$ 93 milhões. Para 2012, o investimento em educação atingirá um valor de R$ 120 milhões, conforme informou a Secretaria Municipal de Educação. Mesmo assim, das 13 escolas avaliadas do 6º ao 9º ano oito não alcançaram a nota determinada pelo MEC. A situação fez com que o índice nesse segmento caísse 0,2 pontos, em relação ao de 2009.

Os motivos da maior parte das escolas das séries finais não terem conseguido alcançar a meta ainda estão sendo identificados pela secretária de Educação de Rio das Ostras, Maria Lina Paixão. “As aulas precisam ser motivadoras, depende muito da atuação do professor. Sabemos que as escolas estão equipadas para isso. É importante manter esta qualidade nas séries finais”, disse. Um dos programas que visa corrigir esse problema é o programa de formação continuada para os docentes. Outro agravante, segundo Maria Lina, são os novos alunos que chegam de várias partes do Brasil, cada um com um tipo de desenvolvimento.

Por dia são matriculados cerca de 30 alunos, o que resulta em quase três mil por ano. Segundo ela, por causa da situação, novos objetivos e metas estão sendo traçados, mas não contou de fato quais serão. Informou apenas que haverá mudanças nas estratégias de avaliação do município, que passará a ser feita dentro dos referenciais do MEC. Nos últimos anos, Rio das Ostras investiu em projetos ligados a área de informática por meio dos 17 laboratórios espalhados pela rede e em salas multifuncionais, que atendem os alunos com dificuldade de aprendizado. Outro ganho foi a avaliação municipal Saero (Sistema de Avaliação Educacional de Rio das Ostras) realizada desde 2007 e que dá um panorama da rede. Este ano ainda vai ser implantada a Escola de Inteligência que trabalhará a parte emocional de pais, alunos e professores.

Macaé
A qualidade do ensino de Macaé segue a passos lentos. Segundo dados do controle interno da prefeitura, o município aprovou o orçamento de R$ 1,3 bilhão para 2011, onde R$ 237 milhões foram destinados para a educação, valor equivalente a 28% do orçamento.

Das escolas avaliadas, apenas quinze se destacaram ou tiveram um bom rendimento na avaliação do IDEB. Dentro dessas, apenas três foram incluídas entre as 100 melhores do estado do Rio, o que é um fator preocupante para a secretaria de Educação. “Estamos em um processo de democratização da educação onde se trabalha a questão do desenraizamento de culturas em que, anteriormente, o professor fazia parte, por uma questão política autoritária”, ressalta a secretária de Educação, Marilena Garcia. Segundo Marilena, os resultados são significativos, apesar do município não conseguir acompanhar o crescimento migratório desordenado que acaba influenciando nos dados da educação. Para ela, os indicadores que avaliam o índice não são apropriados para traduzir a realidade de uma cidade petrolífera de quase 400 mil habitantes. 

No entanto, Marilena ressaltou que não adianta iniciar uma educação de qualidade se a mesma não perdurar nos anos seguintes.

Para ela, é necessário aplicar uma gestão continuada na educação macaense. Atualmente, o município conta com 5.170 unidades de ensino, 37.113 alunos matriculados e cerca de 2.940 professores.

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