‘Teremos tragédias como da Itália se não ficarmos em casa’, diz secretário do RJ

Da CNN Brasil, em São Paulo16 de Março de 2020 às 09:06 | Atualizado 16 de Março de 2020 às 09:09

O secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos, afirmou em entrevista à CNN Brasil, na manhã desta segunda-feira (16), que é preciso que a população siga a recomendação de ficar em casa para reduzir a velocidade de transmissão do coronavírus (COVID-19) ou então “viveremos, infelizmente, tragédias como da Itália e da Espanha”.

“Não tem exagero nenhum [na preocupação com o COVID-19], mas depende de qual decisão cada cidadão desse vai tomar. Se a gente ficar em casa, como é a orientação, poderemos ter índice de letalidade como da Coreia do Sul – que está em 0,5% a 0,7%”, explica. “Se a gente não obedecer essas regras no momento, poderemos enfrentar, em um mês, o caos que a Itália está vivendo – uma verdadeira calamidade pública, com índice de mortalidade de 7,2%. Essa decisão entre 0,5% e 7,2% é nossa”, completa.

Santos ainda afirmou que se não houver freio no aumento de casos, o sistema de saúde não dará conta. “Se a gente não conseguir manter as pessoas em casa e permitir que a epidemia suba numa escalada exponencial, como foi na Itália e na Espanha, nenhum sistema de saúde consegue fazer esse enfrentamento”, defendeu. “É ficando em casa e reduzindo a transmissão do vírus que a gente vai fazer com que os casos ocorram ao longo do tempo – em vez de concentrados em um único momento – e aí podemos fazer o atendimento adequado da população”.

Para poupar recursos, o secretário do Rio informou que os testes para o COVID-19 só serão realizados em “pacientes com a forma mais grave e nos profissionais de saúde, para descartar os casos positivos e ter essa força de trabalho funcionando”. “Não adianta agora continuar testando a população à toa. É preciso usar racionalmente os recursos, pois os laboratórios terão limitação”, justifica. 

Santos ainda afirmou que o combate ao vírus é possível, desde que as medidas sejam levadas a sério pela população, que deve evitar bares, restaurantes, cinemas, teatros, creches, academias e mais locais fechados. “Se tem menos pessoas trabalhando, socialmente já ganhamos uma parte do isolamento”, apontou. “É um conjunto de cuidados sociais que faz com que a gente reduza a velocidade de transmissão e possa salvar vidas. A gente quer convencer e conscientizar a população de que ou ficamos em casa ou vamos ver nossos pais e avós falecendo”.

O secretário defendeu que o Rio de Janeiro está tomando as medidas no momento correto. “Estamos fazendo isso no início de fase 1 para fase 2, que é o que é preconizado. Também não adianta se antecipar muito e causar um impacto econômico e transtorno na vida das famílias. O ponto de inflexão da curva seria a partir de agora, quando temos de fazer as pessoas ficarem em casa e restringir muito a velocidade de transmissão do vírus”.

Há 25 casos registrados no estado, incluindo um homem de 60 anos em estado grave, que, segundo o secretário, só teve o diagnóstico após ser internado. “O paciente já chegou ao hospital muito grave, foi direto para o CTI (Centro de Terapia Intensiva), para respiradores e, depois de já estar internado, se confirmou o COVID-19”, explicou Santos. 

O secretário do Rio explicou que a orientação para buscar atendimento é somente para pessoas que apresentarem sintomas além do quadro geral de uma gripe ou resfriado. “Quem apresentar febre, sinais de resfriado – tosse e espirro – mas estiver em bom estado geral é para ficar em casa, em isolamento por 14 dias. Não adianta procurar hospital ou emergência porque a ordem vai ser essa. Quem tiver a piora do quadro geral – como cansaço, falta de ar e dificuldade para respirar –, precisa procurar as emergências. E lá, é o médico que vai determinar se precisa de internação e do teste para o coronavírus”, esclarece.

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